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Custo total de saúde por funcionário

O plano é a parcela visível. A conta que o CFO precisa tem quatro parcelas e duas unidades: percentual da folha e percentual da receita.

Atualizado em 28 de outubro de 2026 Revisão técnica: Pedro Sales Fontes citadas na página

Resposta curta

O custo total de saúde por funcionário soma o plano líquido do desconto em folha, os afastamentos (os 15 primeiros dias são da empresa, com encargos, mais a reposição), o FAP acima do neutro e a rotatividade que passa pela saúde, esta em faixa. O benchmark do plano é de cerca de R$ 709,50 por funcionário por mês (Mercer Marsh Benefícios, 2025) e de 13,95% da folha (Mercer Marsh, 30ª Pesquisa de Benefícios, dado de 2021). A conta inteira costuma passar disso, e é ela que a diretoria precisa acompanhar.

O que entra no custo total de saúde por funcionário?

A maior parte das empresas conhece uma parcela: a fatura do plano. A conta que interessa à diretoria tem quatro, e três delas não aparecem em nenhuma linha chamada "saúde" no orçamento.

  1. Plano líquido. Fatura anual da operadora menos o que é descontado em folha dos titulares. É o que de fato sai do caixa da empresa.
  2. Afastamentos. Os 15 primeiros dias de cada afastamento por doença são pagos pela empresa (Lei 8.213/1991, artigo 60), com encargos. Depois disso o INSS assume o salário, mas a empresa continua pagando a reposição: hora extra, temporário, posto descoberto.
  3. FAP acima do neutro. O FAP multiplica a alíquota RAT da empresa de 0,5 a 2,0. O que a empresa paga acima de 1,0 é custo de acidentalidade e afastamento acidentário dos dois anos anteriores.
  4. Rotatividade que passa pela saúde. Parte das saídas tem origem em afastamento, clima e risco psicossocial. Essa parte entra em faixa, nunca em ponto, e só depois de medida com o dado da empresa.

As quatro parcelas se expressam em duas unidades: percentual da folha, que é a métrica que o CFO já usa para benefício, e percentual da receita, que é a que o conselho entende. Para isso a empresa precisa de dois números que o RH raramente tem: folha anual total e faturamento anual, ou uma faixa dele.

O que fica fora da soma, de propósito: presenteísmo. Existe referência de que 20% dos colaboradores perdem 7,5 horas ou mais por semana por saúde (Gallup, 2023), mas não há como medir isso em dado administrativo. Declaramos como faixa com fonte e não somamos.

Quanto custa o plano por vida, e quanto da folha ele representa?

Benchmark serve para uma coisa: dizer se o número da empresa está acima ou abaixo do mercado. Não substitui o dado da empresa, e os quatro abaixo têm metodologia e data diferentes entre si.

ReferênciaValorFonte e data
Custo do plano por funcionáriocerca de R$ 709,50 por mês em 2025, alta de 10,5% sobre 2024Mercer Marsh Benefícios, 2025
Plano de saúde como percentual da folha13,95%, segunda maior despesa depois do salárioMercer Marsh, 30ª Pesquisa de Benefícios, 737 empresas, dado de 2021
Reajuste de contratos com 30 vidas ou mais9,62% em 2025; 8,71% em janeiro e fevereiro de 2026ANS, painel de reajustes coletivos, maio de 2026
Reajuste projetado para 20268% a 11%Mercer Marsh Benefícios, 2026
Tendência de custo médico9,8% global; 10,3% na América LatinaAon, Global Medical Trend Rates 2026, outubro de 2025

Números de consultoria e da ANS, conferidos em 28 de outubro de 2026. O de 13,95% é de 2021 e a pesquisa é de amostra própria da consultoria; use como ordem de grandeza, não como meta.

Uma leitura que esses números permitem e que raramente é feita: a inflação médica corre de duas a três vezes o IPCA. Um orçamento que corrige a linha de benefício pela inflação geral está subdimensionado antes de começar o ano. O detalhe de como conferir o reajuste contra essas referências está em reajuste com memória de cálculo.

Como converter afastamento em dinheiro?

Afastamento é a parcela mais subestimada porque o custo está espalhado: parte na folha, parte na hora extra, parte no FAP de dois anos depois. A conta tem três passos.

Dias. O dado de origem é o eSocial S-2230, que registra cada afastamento e sua duração, e o controle de atestados curtos do DP. A referência nacional de dias perdidos por trabalhador por ano é de 5,4 (Mercer Marsh, Pesquisa de Gestão de Absenteísmo, 2023), a única com metodologia declarada que encontramos para o Brasil. A escala do problema no país: cerca de 4,1 milhões de benefícios por incapacidade temporária concedidos em 2025, dos quais 546.254 por transtornos mentais, alta de 15,66% sobre 2024 (Ministério da Previdência Social, janeiro de 2026).

Custo-dia. Salário médio do setor dividido pelos dias úteis do mês, multiplicado pelo fator de encargos — usamos 1,68 como premissa declarada, ajustável pelo regime da empresa. Os 15 primeiros dias de cada afastamento entram inteiros; a partir do 16º, entra só a reposição.

Reposição e produtividade. Hora extra, temporário ou posto descoberto. Aqui a empresa precisa de dado da operação, e por isso essa parcela sai em faixa até ser medida. O que a literatura diz é que ela não é pequena: o custo de produtividade ligado à saúde foi 2,3 vezes o custo médico mais farmácia numa amostra de 10 empregadores (Loeppke et al., JOEM, 2009).

Para olhar para a frente, e não só para trás, a empresa usa a projeção de afastamentos: quantos afastamentos e dias esperar nos próximos 12 meses, em faixa, a partir do próprio histórico.

Como fica a conta num exemplo com premissa declarada?

Empresa fictícia de 300 funcionários, salário médio de R$ 5.000, folha anual nominal de R$ 18 milhões, receita anual de R$ 60 milhões. Toda premissa está na tabela; troque a sua e a conta se refaz.

ParcelaPremissaValor anual% da folha% da receita
Plano brutoR$ 709,50 por vida por mês × 300 × 12R$ 2,55 mi14,2%4,3%
Plano líquidodesconto em folha de 20% da faturaR$ 2,04 mi11,3%3,4%
Afastamentos5,4 dias por pessoa × custo-dia de R$ 382 (R$ 5.000 ÷ 22 × 1,68)R$ 0,62 mi3,4%1,0%
FAP acima do neutroRAT de 2% × (FAP 1,5 − 1,0) × folhaR$ 0,18 mi1,0%0,3%
Subtotal medível hojeplano líquido + afastamentos + FAPR$ 2,84 mi15,8%4,7%
Rotatividade, total36% ao ano × 300 = 108 saídas × 25% a 75% do salário anualR$ 1,6 a 4,9 mi9% a 27%2,7% a 8,1%
Rotatividade que passa pela saúdea medir: saídas nos 12 meses após afastamento e setor fora da curvasem dado——

Exemplo de composição própria da EvySaude, 28 de outubro de 2026. Benchmarks: Mercer Marsh 2025 (plano por vida) e 2023 (5,4 dias); FAP e RAT pelo Decreto 3.048/1999; rotatividade de 36% pelo Novo CAGED (12 meses, 2024–2025); custo de reposição de 25% (Rev. Esc. Enferm. USP, enfermagem) a 75% (SHRM) do salário anual. É cenário, não medição.

Repare no que o exemplo ensina. O plano líquido é menor do que a fatura, e é ele que deve ir para a conta. Afastamento mais FAP somam quase um terço do plano líquido e não aparecem em nenhuma linha de benefício. E a rotatividade, mesmo sem a parte da saúde separada, tem ordem de grandeza comparável ao plano inteiro — razão para medi-la antes de decidir qualquer coisa sobre o benefício.

Quais são os três números que a empresa precisa levantar?

Para a conta sair em percentual da folha e da receita, faltam quase sempre três insumos que ninguém pediu ao RH porque ninguém pediu ao RH uma conta de custo total:

  • Folha anual total, não só o salário médio por unidade. É o denominador de tudo.
  • Faturamento anual, ou uma faixa. É o que transforma a conta em linguagem de conselho.
  • FAP vigente e RAT do CNAE. O FAP se consulta no GOV.BR com o CNPJ; o RAT está no Anexo V do Decreto 3.048/1999 pelo CNAE preponderante. Como conferir e contestar está em FAP.

Com os três, a empresa passa a ter um indicador só, que resume o que hoje está em quatro planilhas de três áreas: custo de saúde da força de trabalho, em reais, em percentual da folha e em percentual da receita, com cada parcela marcada como medida, condicional ou sem dado. É o formato em que a diretoria consegue decidir, e é o que mostra, mês a mês, o custo de não agir.

Regra da conta: parcela sem insumo aparece como "sem dado" e com o que falta para calculá-la. Nunca média de mercado no lugar do dado da empresa, nunca estimativa disfarçada de medição.

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Perguntas frequentes

Qual é o custo médio do plano de saúde por funcionário?

A referência de mercado é de cerca de R$ 709,50 por funcionário por mês em 2025 (Mercer Marsh Benefícios), com alta de 10,5% sobre o ano anterior. O número da sua empresa sai da fatura dividida pelas vidas cobradas, e costuma variar com faixa etária, região, desenho de produto e porte do contrato.

Plano de saúde deveria ser quanto da folha?

Não existe meta. A referência é de 13,95% da folha (Mercer Marsh, 30ª Pesquisa de Benefícios, dado de 2021), como segunda maior despesa depois do salário. Use para saber se está acima ou abaixo, e lembre que o número relevante é o líquido do desconto em folha, não a fatura bruta.

Por que separar plano bruto de plano líquido?

Porque parte da receita da operadora não saiu do caixa da empresa: saiu do salário do titular. Para a sinistralidade, vale a receita total; para o custo da empresa, vale o líquido. Misturar os dois infla o custo e desinforma a decisão sobre desconto em folha, que tem teto na convenção coletiva.

Presenteísmo entra na conta?

Não como número somado. Não há como medir presenteísmo em dado administrativo, então ele aparece como faixa com fonte, ao lado da conta, e não dentro dela. Somar uma estimativa a uma medição produz um número que ninguém consegue defender diante do CFO.

Conteúdo revisado por Pedro Sales — consultor de saúde corporativa, EvySaude e ASF Corretora. Atualizado em 28 de outubro de 2026. As faixas de valor vêm de fontes públicas de mercado e servem para dimensionar orçamento; não são proposta e não substituem a análise do caso concreto.

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