Rotatividade e saúde
O Brasil tem a rotatividade mais alta do mundo e a maioria das empresas não sabe quanto dela passa pela saúde. A resposta honesta: uma parte, e só o dado da empresa diz qual.
Resposta curta
A rotatividade no Brasil fica entre 36% ao ano (Novo CAGED, 12 meses, 2024–2025) e 56% (Robert Half sobre o CAGED, 2025), a maior do mundo; em serviços e varejo passa de 80%. Cada saída custa entre 25% e 75% do salário anual do cargo. A parte que passa pela saúde, afastamento, clima e risco psicossocial, entra no número da EvySaude; a parte que não passa, remuneração, liderança e integração, entra como boa prática, fora do número.
Qual é a rotatividade no Brasil?
| Referência | Valor | Fonte e data |
|---|---|---|
| Rotatividade no Brasil, 12 meses | cerca de 36% ao ano | Novo CAGED, 2024–2025 (primário) |
| Rotatividade no Brasil, outra leitura do mesmo dado | 56%, a maior do mundo | Robert Half sobre o CAGED, 2025 (consultoria) |
| Serviços e varejo | acima de 80% | Robert Half sobre o CAGED, 2025 (consultoria) |
| Novos contratados | giram de 2 a 3 vezes a média da empresa; num hospital, 39% contra 18% | Kurnat-Thoma et al., SAGE Open Nursing, 2017 |
Conferido em 28 de outubro de 2026. A diferença entre 36% e 56% vem do método de cálculo sobre o mesmo CAGED; use a faixa, e compare a sua empresa pelo mesmo método que escolher.
Duas leituras importam para a gestão de saúde. A primeira: a saída se concentra no início. Novatos giram duas a três vezes a média, o que significa que uma parte grande da rotatividade é de integração, não de saúde, e isso delimita o que a saúde pode explicar. A segunda: em setores de alta rotatividade, o custo de reposição é da ordem de grandeza do plano de saúde inteiro, e por isso qualquer decisão sobre benefício que ignore a rotatividade está olhando para a parcela menor.
A rotatividade da sua empresa sai da folha: admissões e desligamentos em 12 meses sobre o efetivo médio, por setor, e separando desligamento voluntário de involuntário e os primeiros 90 dias do restante. Sem essa separação, o número não diz onde agir.
Quanto custa uma saída?
O custo de reposição soma desligamento, recrutamento, seleção, integração, treinamento e a produtividade menor do novato até atingir a do substituído. A última parcela é a maior e a menos contada.
| Salário mensal | Salário anual | Custo de reposição: 25% a 75% do anual |
|---|---|---|
| R$ 3.000 | R$ 36.000 | R$ 9.000 a 27.000 |
| R$ 5.000 | R$ 60.000 | R$ 15.000 a 45.000 |
| R$ 8.000 | R$ 96.000 | R$ 24.000 a 72.000 |
| Empresa de 300 pessoas a R$ 5.000, rotatividade de 36% | 108 saídas por ano | R$ 1,6 a 4,9 milhões por ano |
Faixa de 25% do salário anual (estudo brasileiro de custo da rotatividade de enfermagem em hospital de ensino, Rev. Esc. Enferm. USP: cerca de 3 salários mensais, com a produtividade do novato respondendo por 94% do custo pós-contratação) a 50% a 75% (SHRM, cargos operacionais). Cálculo próprio sobre salários fictícios. É faixa, nunca ponto.
Por que faixa tão larga: o custo depende do tempo até a produtividade plena, que varia de semanas em função simples a mais de um ano em função técnica. A empresa que quer o número próprio precisa de três dados: tempo médio de preenchimento da vaga, tempo até produtividade plena por função e custo direto de recrutamento e treinamento. Com eles, a faixa estreita. Sem eles, a referência externa é o que há, e ela se apresenta como referência.
Em percentual da folha, a tabela mostra que o custo total de reposição numa empresa com rotatividade na média brasileira fica entre 9% e 27% da folha anual, comparável ou superior ao plano de saúde. É por isso que ele aparece no custo total de saúde por funcionário, ainda que só a parte ligada à saúde entre na soma.
Que parte da rotatividade passa pela saúde?
Uma parte, mensurável com o dado da empresa, e é só ela que a EvySaude conta. Quatro caminhos ligam saúde a saída:
- Afastamento. Desligamento nos 12 meses após afastamento longo, voluntário ou não. É o cruzamento mais direto: S-2230 contra S-2299, por setor. Quando o afastamento foi acidentário, há a janela de estabilidade de 12 meses (Lei 8.213/1991, artigo 118), e o desligamento dentro dela tem custo típico de indenização.
- Organização do trabalho. Demanda alta com baixo controle, baixa justiça organizacional e liderança de baixa qualidade têm risco medido para depressão e afastamento (Madsen et al., 2017; Kivimäki, Elovainio et al., 2003; JOEM, 2020), e os mesmos fatores aparecem entre os preditores de saída voluntária em meta-análise (Rubenstein et al., Personnel Psychology, 2018: ajuste pessoa-organização, satisfação, comprometimento, segurança no emprego).
- Risco psicossocial não gerido. É o fator que a NR-1 obriga a inventariar desde 26 de maio de 2026, e o setor fora da curva em risco psicossocial costuma ser o mesmo fora da curva em rotatividade.
- Retorno ao trabalho mal conduzido. Retorno abrupto, sem plano, com recorrência, termina em saída.
O que se mede: rotatividade por setor contra a média da empresa; saída nos 12 meses após afastamento; setor com afastamento alto e rotatividade alta ao mesmo tempo. Tudo agregado, com mínimo de cinco pessoas por recorte, e sem motivo clínico para o RH. O que não se faz: atribuir à saúde a rotatividade inteira. Essa é a diferença entre um número que o financeiro aceita e um que ele descarta na primeira pergunta.
E a parte que não passa pela saúde?
É a maior, e a evidência sobre ela é forte. Entra como boa prática sugerida, fora do número da EvySaude, porque não é o nosso domínio e porque somar o que não se controla é prometer o que não se entrega.
| Alavanca | O que a evidência diz | Entra no número? |
|---|---|---|
| Integração estruturada nos primeiros 90 dias a um ano | Intervenção com mais estudos e maior efeito sobre saída de novatos; clareza de papel e aceitação social mediam (Bauer et al., J. Applied Psychology, 2007) | Não: boa prática |
| Apoio do supervisor e controle sobre o tempo | Ensaio randomizado de campo: menor intenção de sair aos 12 meses e menos saída voluntária em 3 anos (Moen, Kelly et al., Social Problems, 2017) | Não: boa prática; o elo com saúde entra via risco psicossocial |
| Engajamento medido por equipe, com gestor de linha | Quartil superior apresenta cerca de 21% menos rotatividade em organizações com rotatividade acima de 40% ao ano (Gallup, Q12, 11ª edição, 2024; correlacional) | Não: boa prática |
| Escala previsível em serviços por hora | Melhora produtividade e permanência (Stable Scheduling Study) | Parcial: pausas e escala são fator psicossocial |
| Remuneração | Preditor direto de saída voluntária | Não |
| Programa de bem-estar individual | Nenhum efeito em permanência em 18 meses no único ensaio randomizado grande (Song e Baicker, JAMA, 2019) | Não entra como alavanca de rotatividade |
Conferido em 28 de outubro de 2026. Classificação de escopo da EvySaude: só entra no número o que passa pelo domínio de saúde e segurança do trabalho.
A tabela diz duas coisas à diretoria. A primeira: a alavanca mais forte de rotatividade é gestão (integração, gestor de linha, escala), e a empresa deveria investir nela por conta própria. A segunda: bem-estar avulso não reduz rotatividade, o que está detalhado em o que funciona em bem-estar.
Como a diretoria acompanha?
Cinco indicadores, mensais, por setor, agregados.
- Rotatividade por setor, voluntária e involuntária, contra a média da empresa e contra a faixa nacional.
- Rotatividade de novatos: saídas nos primeiros 90 dias e no primeiro ano. É o indicador de integração, e separa o que é gestão do que é saúde.
- Saída após afastamento: desligamentos nos 12 meses seguintes a um afastamento longo, por setor. É o indicador que liga saúde a rotatividade.
- Custo de reposição em faixa, por setor, com as premissas declaradas, e a parte ligada à saúde separada.
- Setores em sobreposição: os que estão fora da curva em absenteísmo, custo do plano por cabeça e rotatividade ao mesmo tempo. São os primeiros a receber intervenção.
O que a diretoria recebe é a leitura de pessoas e o formato de diretoria: quatro números, a origem de cada um, e a faixa do que a saúde pode mover, com a boa prática de gestão ao lado, fora da soma. O que já está sendo pago enquanto a decisão não sai, com o custo de reposição em faixa, está em custo de não agir.
Rotatividade é o custo oculto de maior ordem de grandeza e o de atribuição mais difícil. A regra é contar só o que se mede, mostrar a faixa do resto e nunca somar os dois.

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Qual é a taxa de rotatividade no Brasil?
Entre 36% ao ano (Novo CAGED, 12 meses, 2024–2025) e 56% (Robert Half sobre o mesmo CAGED, 2025), conforme o método; é a maior do mundo. Em serviços e varejo passa de 80%. Compare a sua empresa pelo mesmo método que escolher, por setor e separando os primeiros 90 dias.
Quanto custa substituir um funcionário?
Entre 25% e 75% do salário anual do cargo, com a produtividade menor do novato como a maior parcela. A referência brasileira de 25% vem de estudo de enfermagem em hospital de ensino (Rev. Esc. Enferm. USP); a de 50% a 75% vem da SHRM para cargos operacionais. O número próprio exige tempo de preenchimento, tempo até produtividade plena e custo direto de recrutamento.
Quanto da rotatividade é causada por saúde?
Só o dado da empresa diz. O que se mede é saída nos 12 meses após afastamento longo e setor com afastamento e rotatividade altos ao mesmo tempo. Não atribuímos à saúde a rotatividade inteira; a maior parte é remuneração, integração e gestor de linha, e isso entra como boa prática, fora do número.
Plano de saúde melhor reduz rotatividade?
Não há evidência de que benefício de saúde avulso reduza rotatividade; o único ensaio randomizado grande sobre bem-estar não achou efeito em permanência. O que a evidência liga a permanência é apoio do supervisor, controle sobre o tempo e integração. O plano é parte do pacote de remuneração e se decide por esse critério.