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Afastamento por setor: onde o mental e o físico pesam

O tipo de afastamento muda muito de um setor para outro. Esta página mostra, com dados públicos de 2024, onde o mental pesa mais e onde pesa o físico, e o que não dá para concluir deles.

Atualizado em 31 de outubro de 2026 Revisão técnica: Pedro Sales Fontes citadas na página

Resposta curta

Em 2024, o Brasil teve 180.300 auxílios-doença acidentários (B91), e 9.827 foram por transtorno mental, ou 5,45% (SmartLab, Ministério Público do Trabalho, dados da Previdência). A concentração é grande: em bancos, o mental é 48,7% do B91 do setor; na administração pública, 21,6%; na saúde humana, 15,3%. No físico, fraturas dominam a maioria dos setores, e construção e transporte terrestre têm a maior gravidade aparente. São contagens por divisão de atividade, não taxas por funcionário.

Onde o mental pesa mais?

SetorMental no B91 do setorPeso frente à média nacional
Bancos e intermediação financeira48,7%8,9 vezes
Administração pública21,6%4,0 vezes
Atenção à saúde humana15,3%2,8 vezes
Escritório, teleatendimento e apoio7,0%1,3 vez
Transporte terrestre5,6%1,0 vez
Comércio varejista4,6%0,8 vez

Cálculo da EvySaude sobre a planilha consolidada do SmartLab (smartlab.mpt.mp.br), dados de 2024, 31 de outubro de 2026. Média nacional do mental no B91: 5,45%.

Três setores somam 66,9% de todo o afastamento mental acidentário do país. No B91 geral, os três maiores setores somam 36,3%. O mental é muito mais concentrado do que o resto.

O que significa B91 e por que o reconhecimento muda de setor?

B91 é o auxílio-doença acidentário, concedido quando o INSS reconhece que o afastamento tem relação com o trabalho. B31 é o comum. A razão entre os dois mostra quanto do afastamento mental o INSS reconhece como do trabalho.

Nacionalmente, são 2,13 B91 mentais para cada 100 B31 mentais. Em bancos, são 16,7, ou 7,8 vezes a média. Em teleatendimento são 1,5 e em educação, 1,1. Por tipo de doença, o estresse e a reação a ele (F43) chegam a 10,7, a ansiedade (F41) a 3,0 e a depressão (F32) a 1,9.

O que isso diz: o reconhecimento depende muito do setor. O que isso não diz: que os bancos sejam piores. Pode refletir sindicato, perícia e jurisprudência mais estruturados no setor. E em setores com muito afastamento comum e pouco reconhecimento, a empresa pode ter um passivo que ainda não apareceu. Isso é hipótese, não dado.

Onde o físico pesa mais?

Fraturas respondem por 37% a 59% dos B91 na maior parte dos setores. O segundo grupo é o osteomuscular (dorsalgia, ombro, disco), com 13% a 22%. A gravidade aparente, medida pelos B91 para cada 100 acidentes notificados, é maior na construção de edifícios (65,9) e no transporte terrestre (52,2). A saúde humana notifica muito, mas boa parte são acidentes leves com material biológico (12,9).

Os setores tendem a se especializar: onde as fraturas pesam, o osteomuscular e o mental pesam menos (correlação de Spearman de menos 0,78 em ambos os casos, com 15 e 8 setores). É descrição de setores, não de pessoas.

O que esses dados não permitem concluir?

  • São contagens, não taxas. Setor grande tem mais casos. Sem o número de empregados do setor, não dá para dizer em qual o risco por pessoa é maior.
  • Setor é aproximado. A divisão de atividade (CNAE) da empresa nem sempre reflete o trabalho que a pessoa faz.
  • O cruzamento é por grupo de doença. Dorsalgia, ombro, fratura de perna e ansiedade por setor não estão nesta fonte, só no total nacional.
  • Não mostra causa. A relação com a organização do trabalho de cada setor é hipótese, e só se testa com os dados da própria empresa.

Os limites vêm antes das conclusões porque a conta serve para orientar a pergunta que o CFO faz à sua empresa, não para responder por ela.

O que o CFO faz com isso?

Compara o perfil da própria empresa com o do seu setor. Se o afastamento mental da empresa pesa mais do que a referência do setor, a pergunta é sobre a organização do trabalho. Se o físico pesa mais, é sobre posto, ferramenta e treinamento. Em ambos os casos, o dado da empresa por setor interno decide.

O dado nacional diz onde olhar. O dado da sua empresa diz o que fazer.

Tema de saúde e trabalho. Consulte a medicina do trabalho e o jurídico antes de agir sobre um caso específico. Fonte: SmartLab, Ministério Público do Trabalho, dados da Previdência Social, 2024.

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Perguntas frequentes

Qual setor tem mais afastamento por saúde mental?

Em contagem de afastamento acidentário em 2024, bancos concentram 48,7% do B91 do próprio setor por transtorno mental, e a administração pública 21,6% (SmartLab, 2024). É contagem por divisão de atividade, e não taxa por funcionário.

Por que os bancos têm tanto afastamento mental reconhecido?

Os dados mostram que o reconhecimento é alto, mas não explicam a causa. Pode refletir metas e pressão, e também sindicato, perícia e jurisprudência mais estruturados. Sem dado da empresa, é hipótese.

Esses números valem para a minha empresa?

Servem de referência de setor, não de previsão. O perfil da sua empresa depende da função, da escala e da gestão. A comparação útil é a do seu afastamento por setor interno contra essa referência.

Onde estão os dados de dorsalgia e ansiedade por setor?

Não estão nesta fonte. O SmartLab publica a doença por setor apenas por grupo, e os CIDs de três caracteres só no total nacional. Para esse detalhe é preciso uma tabela específica de CID por atividade e o número de vínculos por setor.

Conteúdo revisado por Pedro Sales — consultor de saúde corporativa, EvySaude e ASF Corretora. Atualizado em 31 de outubro de 2026. Conteúdo informativo sobre gestão e finanças. Não é parecer jurídico, contábil ou atuarial e não substitui a análise do caso concreto. Em tema trabalhista ou tributário, consulte o jurídico.

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