Afastamento por setor: onde o mental e o físico pesam
O tipo de afastamento muda muito de um setor para outro. Esta página mostra, com dados públicos de 2024, onde o mental pesa mais e onde pesa o físico, e o que não dá para concluir deles.
Resposta curta
Em 2024, o Brasil teve 180.300 auxílios-doença acidentários (B91), e 9.827 foram por transtorno mental, ou 5,45% (SmartLab, Ministério Público do Trabalho, dados da Previdência). A concentração é grande: em bancos, o mental é 48,7% do B91 do setor; na administração pública, 21,6%; na saúde humana, 15,3%. No físico, fraturas dominam a maioria dos setores, e construção e transporte terrestre têm a maior gravidade aparente. São contagens por divisão de atividade, não taxas por funcionário.
Onde o mental pesa mais?
| Setor | Mental no B91 do setor | Peso frente à média nacional |
|---|---|---|
| Bancos e intermediação financeira | 48,7% | 8,9 vezes |
| Administração pública | 21,6% | 4,0 vezes |
| Atenção à saúde humana | 15,3% | 2,8 vezes |
| Escritório, teleatendimento e apoio | 7,0% | 1,3 vez |
| Transporte terrestre | 5,6% | 1,0 vez |
| Comércio varejista | 4,6% | 0,8 vez |
Cálculo da EvySaude sobre a planilha consolidada do SmartLab (smartlab.mpt.mp.br), dados de 2024, 31 de outubro de 2026. Média nacional do mental no B91: 5,45%.
Três setores somam 66,9% de todo o afastamento mental acidentário do país. No B91 geral, os três maiores setores somam 36,3%. O mental é muito mais concentrado do que o resto.
O que significa B91 e por que o reconhecimento muda de setor?
B91 é o auxílio-doença acidentário, concedido quando o INSS reconhece que o afastamento tem relação com o trabalho. B31 é o comum. A razão entre os dois mostra quanto do afastamento mental o INSS reconhece como do trabalho.
Nacionalmente, são 2,13 B91 mentais para cada 100 B31 mentais. Em bancos, são 16,7, ou 7,8 vezes a média. Em teleatendimento são 1,5 e em educação, 1,1. Por tipo de doença, o estresse e a reação a ele (F43) chegam a 10,7, a ansiedade (F41) a 3,0 e a depressão (F32) a 1,9.
O que isso diz: o reconhecimento depende muito do setor. O que isso não diz: que os bancos sejam piores. Pode refletir sindicato, perícia e jurisprudência mais estruturados no setor. E em setores com muito afastamento comum e pouco reconhecimento, a empresa pode ter um passivo que ainda não apareceu. Isso é hipótese, não dado.
Onde o físico pesa mais?
Fraturas respondem por 37% a 59% dos B91 na maior parte dos setores. O segundo grupo é o osteomuscular (dorsalgia, ombro, disco), com 13% a 22%. A gravidade aparente, medida pelos B91 para cada 100 acidentes notificados, é maior na construção de edifícios (65,9) e no transporte terrestre (52,2). A saúde humana notifica muito, mas boa parte são acidentes leves com material biológico (12,9).
Os setores tendem a se especializar: onde as fraturas pesam, o osteomuscular e o mental pesam menos (correlação de Spearman de menos 0,78 em ambos os casos, com 15 e 8 setores). É descrição de setores, não de pessoas.
O que esses dados não permitem concluir?
- São contagens, não taxas. Setor grande tem mais casos. Sem o número de empregados do setor, não dá para dizer em qual o risco por pessoa é maior.
- Setor é aproximado. A divisão de atividade (CNAE) da empresa nem sempre reflete o trabalho que a pessoa faz.
- O cruzamento é por grupo de doença. Dorsalgia, ombro, fratura de perna e ansiedade por setor não estão nesta fonte, só no total nacional.
- Não mostra causa. A relação com a organização do trabalho de cada setor é hipótese, e só se testa com os dados da própria empresa.
Os limites vêm antes das conclusões porque a conta serve para orientar a pergunta que o CFO faz à sua empresa, não para responder por ela.
O que o CFO faz com isso?
Compara o perfil da própria empresa com o do seu setor. Se o afastamento mental da empresa pesa mais do que a referência do setor, a pergunta é sobre a organização do trabalho. Se o físico pesa mais, é sobre posto, ferramenta e treinamento. Em ambos os casos, o dado da empresa por setor interno decide.
O dado nacional diz onde olhar. O dado da sua empresa diz o que fazer.
Tema de saúde e trabalho. Consulte a medicina do trabalho e o jurídico antes de agir sobre um caso específico. Fonte: SmartLab, Ministério Público do Trabalho, dados da Previdência Social, 2024.

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Qual setor tem mais afastamento por saúde mental?
Em contagem de afastamento acidentário em 2024, bancos concentram 48,7% do B91 do próprio setor por transtorno mental, e a administração pública 21,6% (SmartLab, 2024). É contagem por divisão de atividade, e não taxa por funcionário.
Por que os bancos têm tanto afastamento mental reconhecido?
Os dados mostram que o reconhecimento é alto, mas não explicam a causa. Pode refletir metas e pressão, e também sindicato, perícia e jurisprudência mais estruturados. Sem dado da empresa, é hipótese.
Esses números valem para a minha empresa?
Servem de referência de setor, não de previsão. O perfil da sua empresa depende da função, da escala e da gestão. A comparação útil é a do seu afastamento por setor interno contra essa referência.
Onde estão os dados de dorsalgia e ansiedade por setor?
Não estão nesta fonte. O SmartLab publica a doença por setor apenas por grupo, e os CIDs de três caracteres só no total nacional. Para esse detalhe é preciso uma tabela específica de CID por atividade e o número de vínculos por setor.
Nesta seção
- Visão geral
- Plano no resultado
- Custo total na folha
- O que os estudos mostram
- Onde está o retorno
- Sinistralidade e reajuste
- Saúde mental como custo
- Casos de empresas
- Atração e retenção
- Indicadores mensais
- Desenho do plano
- Provar o cuidado
- Documentos de saúde
- Antes de demitir
- NR-1 e registro
- Afastamento por setor
- Plano de 90 dias