Saúde mental como linha de custo
O afastamento por transtorno mental cresce no INSS acima do total de afastamentos. Mas em estudo com oito países, incluindo o Brasil, o presenteísmo por depressão custou de 5 a 10 vezes o absenteísmo.
Resposta curta
Saúde mental é uma linha de custo com três parcelas. Afastamento: o INSS concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais em 2025, alta de 15,66% sobre 2024 (Ministério da Previdência Social, janeiro de 2026). Presenteísmo, a pessoa no trabalho rendendo menos: para depressão, ele custa de 5 a 10 vezes o absenteísmo. No Brasil, cerca de US$ 5.788 por pessoa afetada por ano (Evans-Lacko e Knapp, London School of Economics, 2016). Escala global: 12 bilhões de dias de trabalho perdidos por ano por depressão e ansiedade, custo de quase US$ 1 trilhão em produtividade (OMS e OIT, 2022). A NR-1 exige que a empresa gerencie os riscos psicossociais desde 26 de maio de 2026. As multas estão suspensas pelo STF até o fim de dezembro de 2026; a obrigação não. O CFO trata isso como gestão: dado agregado por setor, nunca por pessoa.
Quanto o afastamento por saúde mental cresce no Brasil?
Mais do que o total de afastamentos, que cresceu 15,19%. O INSS concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais em 2025. Foi alta de 15,66% sobre os 472.328 de 2024, que já eram recorde em dez anos. Ansiedade e depressão lideram (Ministério da Previdência Social, janeiro de 2026).
O dado tem limites. Cobre só segurados do INSS e só afastamentos acima de 15 dias, porque os primeiros 15 são pagos pela empresa (Lei nº 8.213/1991, art. 60). A estatística oficial começa onde o custo da empresa termina.
Para a empresa, cada afastamento longo tem três custos. Os 15 dias com encargos. A reposição do posto, por meses. E, se for reconhecido como acidentário, o reflexo no FAP (o fator que ajusta a alíquota do seguro de acidente) dois anos depois. A conta está em custo total de saúde como percentual da folha.
O presenteísmo custa mais do que o afastamento?
Para depressão, nos estudos citados, sim. Presenteísmo é a pessoa que vai trabalhar e rende menos por motivo de saúde. Não gera atestado nem entra no eSocial. Aparece só na produção.
Um estudo com cerca de mil trabalhadores em cada um de oito países, incluindo o Brasil, mediu o custo para pessoas com depressão. O presenteísmo custou de 5 a 10 vezes o absenteísmo. No Brasil, cerca de US$ 5.788 por pessoa afetada por ano (Evans-Lacko e Knapp, London School of Economics, Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology, 2016). O dado é autodeclarado e extrapolado para a população.
Nos Estados Unidos, uma pesquisa nacional achou 27,2 dias perdidos por ano por trabalhador com depressão maior. A maior parte era presenteísmo (Kessler et al., Universidade Harvard, American Journal of Psychiatry, 2006; dados de 2001 a 2003, autorrelato). Na sua empresa, só pesquisa interna anônima revela a proporção.
Qual é a escala do problema, e o que os modelos dizem sobre tratar?
| Achado | Número | Fonte, ano e natureza |
|---|---|---|
| Dias de trabalho perdidos por ano por depressão e ansiedade, no mundo | 12 bilhões | OMS e OIT, 2022; estimativa agregada |
| Custo anual em produtividade, no mundo | Quase US$ 1 trilhão | OMS e OIT, 2022; estimativa agregada |
| Retorno de ampliar o tratamento de depressão e ansiedade, em 36 países | 2,3 a 3,0 por 1 em produtividade; 3,3 a 5,7 incluindo ganhos de saúde | Chisholm et al., OMS, Lancet Psychiatry, 2016; modelo econômico, perspectiva da sociedade |
| Estressores do trabalho e gasto em saúde nos EUA | 5% a 8% do gasto nacional em saúde nos EUA; cerca de 120 mil mortes em excesso por ano, associadas a estressores | Goh, Pfeffer e Zenios, Harvard e Stanford, Management Science, 2016; meta-análise de 228 estudos e modelo |
Todos são estimativas de modelo, não ensaios em empresa. O retorno de Chisholm et al. é da sociedade, não do empregador. O "4 por 1" que a ONU divulgou é arredondamento. Leitura da EvySaude, 31 de outubro de 2026.
Uma ressalva vale para toda a tabela. Esses retornos são de modelo e de sociedade. Eles não dizem o que a sua empresa economiza com um programa. Os ensaios randomizados em empresa não acharam efeito em custo de programa de bem-estar (o de Song e Baicker incluía manejo de estresse): JAMA, 2019; Health Affairs, 2021; Jones, Molitor e Reif, QJE, 2019. O que a evidência sustenta é a escala do custo, não o retorno de uma ação específica.
O que a NR-1 exige da empresa, e o que está suspenso?
Desde 26 de maio de 2026, a NR-1 inclui os riscos psicossociais entre os riscos que a empresa gerencia no PGR. PGR é o programa de gerenciamento de riscos do trabalho, com inventário e plano de ação. Riscos psicossociais são os que nascem do jeito de trabalhar: metas, escala, chefia, falta de gente, assédio. A empresa precisa identificá-los, avaliá-los e tratá-los (NR-1, item 1.5, com a redação da Portaria MTE nº 1.419/2024, vigência pela Portaria MTE nº 765/2025).
Em 25 de junho de 2026, o STF suspendeu as multas e sanções ligadas a esses itens (ADPF 1316). O plenário referendou em agosto. Em 24 de setembro de 2026, a suspensão foi prorrogada por mais 90 dias, até o fim de dezembro de 2026. A obrigação não foi suspensa. O que está suspenso é a punição.
Para o CFO, a leitura é de risco e de custo. O inventário feito com pesquisa anônima e plano de ação é também o diagnóstico da linha de custo desta página. O detalhe normativo está em riscos psicossociais na NR-1. Para o enquadramento da sua empresa e os prazos, consulte o jurídico.
O que a empresa faz com dado agregado por setor?
Compara setores e age sobre a organização do trabalho, nunca sobre a pessoa. Quatro indicadores por setor, em janela de 12 meses, bastam.
- Afastamentos por cem pessoas, separando os curtos e repetidos dos longos. Fonte: eSocial S-2230 (o registro de afastamento enviado ao governo) e controle de atestados. O motivo não sobe; só a contagem.
- Uso de pronto-socorro por pessoa, do relatório de utilização da operadora, em agregado.
- Rotatividade, separando os primeiros 90 dias.
- Pesquisa de riscos psicossociais, anônima, por dimensão: demanda, controle, apoio, reconhecimento. Resultado por setor, com mínimo de pessoas por grupo.
O setor acima dos demais em dois ou mais indicadores é onde começa o plano de ação do PGR. As medidas são de gestão: escala, cobertura de ausência, metas, chefia. Nenhum dado individual de saúde chega ao RH ou à diretoria. O que é sensível fica com a medicina do trabalho, com registro de acesso (Lei nº 13.709/2018, art. 11). Como ler esses sinais sem virar diagnóstico está em saúde mental: sinais coletivos.
Como essa linha entra no orçamento e no painel do CFO?
Como parcela da linha de custo total de saúde, com o que tem registro, e como nota com o que não tem. Os afastamentos entram com os 15 dias, a reposição e o reflexo no FAP. O presenteísmo entra como nota, com a proporção dos estudos e a pesquisa interna quando houver. Nunca como número na linha, porque não há registro.
No painel mensal, a linha de saúde mental aparece como afastamentos por cem pessoas e dias perdidos, por setor, em janela de 12 meses. Junto, a cobertura da pesquisa da NR-1 e o andamento do plano de ação. O painel completo está em indicadores que o CFO acompanha todo mês. O que a evidência mostra sobre o que funciona está em o que os estudos mostram.
Saúde mental é linha de custo com registro parcial. O que tem registro entra na conta. O que não tem entra como nota. Nada entra como promessa.

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A empresa deve saber quem está afastado por transtorno mental?
O RH sabe que alguém está afastado, porque precisa cobrir o posto; não sabe o motivo. O motivo fica com a medicina do trabalho e com o INSS. Para a gestão, basta a contagem por setor, em janela de 12 meses. É assim que o dado vira ação sobre escala e chefia, não sobre a pessoa. Em dúvida, consulte o jurídico.
Programa de saúde mental na empresa dá retorno?
Os modelos de sociedade mostram retorno de ampliar tratamento (Chisholm et al., Lancet Psychiatry, 2016), mas são modelos, não ensaios em empresa. Os ensaios randomizados não acharam efeito em custo de programa de bem-estar, que no ensaio de 2019 incluía manejo de estresse (JAMA, 2019; Health Affairs, 2021). O que a evidência sustenta é a escala do custo e a obrigação da NR-1.
A NR-1 está suspensa?
Não. A obrigação de identificar, avaliar e tratar riscos psicossociais vale desde 26 de maio de 2026. O STF suspendeu só as multas e sanções (ADPF 1316, 25 de junho de 2026), com prorrogação em 24 de setembro até o fim de dezembro de 2026. Para o enquadramento da sua empresa, consulte o jurídico.
Como medir presenteísmo na minha empresa?
Com pesquisa interna anônima, por setor, usando perguntas de produtividade autodeclarada, e com mínimo de pessoas por grupo. O resultado é ordem de grandeza, não medida contábil. Ele entra no orçamento como nota, com a proporção dos estudos (5 a 10 vezes o absenteísmo para depressão; Evans-Lacko e Knapp, 2016), nunca como número na linha.
Nesta seção
- Visão geral
- Plano no resultado
- Custo total na folha
- O que os estudos mostram
- Onde está o retorno
- Sinistralidade e reajuste
- Saúde mental como custo
- Casos de empresas
- Atração e retenção
- Indicadores mensais
- Desenho do plano
- Provar o cuidado
- Documentos de saúde
- Antes de demitir
- NR-1 e registro
- Afastamento por setor
- Plano de 90 dias