Sinistralidade e reajuste no orçamento
O reajuste do plano chega uma vez por ano e vale por doze meses. Quem só o descobre na carta chega atrasado à negociação. Esta página explica a conta e como provisionar.
Resposta curta
Sinistralidade é a conta que decide o reajuste: de cada R$ 100 que a empresa paga de mensalidade, quanto a operadora gastou com atendimentos. No setor, ela foi de 81,7% em 2025, cerca de dois pontos abaixo de 2024, e as operadoras tiveram resultado líquido de R$ 24,4 bilhões (ANS, dados econômico-financeiros de 2025). O reajuste médio dos planos coletivos em 2025 foi de 10,76% (ANS, Painel de Reajustes, dados até fevereiro de 2026). Contratos com menos de 30 vidas tiveram 14,24% e os maiores, 9,62% (mesmo painel). Isso é contexto de mercado, não projeção da sua empresa. O reajuste do seu contrato tem memória de cálculo, e a empresa pode pedi-la por escrito (RN ANS nº 509/2022). O CFO provisiona em faixa, com a premissa escrita.
O que é sinistralidade e por que ela decide o reajuste?
Sinistralidade é a razão entre o que a operadora gastou com os atendimentos do seu grupo e o que a empresa pagou de mensalidade, no mesmo período. Exemplo ilustrativo: se a empresa pagou R$ 1 milhão em 12 meses e os atendimentos custaram R$ 850 mil, a sinistralidade foi de 85%. A operadora usa esse número para decidir quanto pedir de reajuste.
A conta tem uma armadilha de período. O último mês do relatório costuma estar incompleto, porque a operadora ainda recebe contas. Por isso a leitura é sempre em janela de 12 meses, somando custo e mensalidade do período inteiro. A EvySaude trata sinistralidade acima de 80% como entrada na espiral de reajuste (critério editorial da EvySaude, 2026, e não norma). Na espiral, o aumento encarece o plano, pessoas saem, o custo por pessoa sobe e o próximo reajuste vem maior.
O reajuste do plano coletivo não é definido pela ANS como o do individual. É negociado entre empresa e operadora, com base na sinistralidade e na variação de custo médico. A empresa que chega com a própria conta feita está em outra posição. Como fazer está em reajuste com memória de cálculo.
O que o mercado mostrou em 2025?
Um setor com resultado maior e reajustes médios em torno de 10%. A tabela resume o contexto. É contexto de mercado, não projeção para a sua empresa.
| Indicador | Valor | Fonte e corte |
|---|---|---|
| Sinistralidade das operadoras médico-hospitalares em 2025 | 81,7%, cerca de 2 pontos abaixo de 2024 | ANS, dados econômico-financeiros de 2025, divulgados em março de 2026 |
| Resultado líquido do setor em 2025 | R$ 24,4 bilhões, alta de 120,7% | ANS, dados econômico-financeiros de 2025 |
| Reajuste médio dos planos coletivos em 2025 | 10,76% | ANS, Painel de Reajustes, dados até fevereiro de 2026 |
| Reajuste em contratos com menos de 30 vidas | 14,24% | ANS, Painel de Reajustes, 2025 |
| Reajuste em contratos com 30 vidas ou mais | 9,62% | ANS, Painel de Reajustes, 2025 |
| Reajuste médio nos dois primeiros meses de 2026 | 9,9% | ANS, Painel de Reajustes, 2026 |
| Tendência de custo médico no Brasil em 2026 | 9,7% (Aon) e 11% (WTW) | Aon, Global Medical Trend Rates Report 2026; WTW, Global Medical Trends Survey 2026; ambos de 2025 |
A ANS publica o consolidado do setor, não por contrato ou porte da empresa contratante, e excluiu do painel operadoras com termo de compromisso desde o fim de 2024. Aon e WTW medem expectativas diferentes e não se somam. Os recortes por número de vidas são do mesmo painel da ANS; confira a data de corte na fonte antes de usar. Leitura da EvySaude, 31 de outubro de 2026.
Esta leitura para a negociação é da EvySaude, não da ANS. A sinistralidade média do setor caiu e o resultado líquido subiu, o que pode indicar margem para as operadoras. A empresa com sinistralidade própria abaixo da média tem argumento para pedir explicação de reajuste acima dela. A média do setor não prova nada sobre o seu contrato.
Por que contratos menores pagam mais?
A explicação usual do mercado, que o painel da ANS não mede, é dupla: menos vidas para diluir um caso grave, e agrupamento. A operadora junta os contratos com menos de 30 vidas e aplica a todos um reajuste único (regra de agrupamento da ANS). O contrato pequeno paga a sinistralidade do grupo. Em 2025, a diferença foi de 14,24% contra 9,62% (ANS, Painel de Reajustes, dados até fevereiro de 2026).
O mercado se pulverizou nessa direção. O número de empresas contratantes de plano cresceu 60,7% entre 2020 e 2025, e o de beneficiários, 20,2%. A média por contrato caiu de 20,5 para 15,3 vidas (IESS, 2025). São 38,7 milhões de pessoas em planos coletivos empresariais, cerca de 73% do total (ANS, janeiro de 2026).
Para a empresa de 100 a 5.000 funcionários, duas consequências. Com 30 vidas ou mais, o reajuste é negociado no próprio contrato, e a gestão da sinistralidade própria tem efeito direto. E filiais em contratos pequenos separados podem estar pagando reajuste de agrupamento sem precisar. Para empresas menores, o básico está em saúde corporativa, no site da ASF.
Como pedir a memória de cálculo do reajuste?
Por escrito, antes da renovação. Memória de cálculo é a conta aberta: que custo, que receita, que período, que fórmula. A operadora de plano coletivo deve disponibilizar ao contratante a memória de cálculo do reajuste e os critérios usados (RN ANS nº 509/2022). Sem ela, a empresa negocia um número que não entende.
- Peça o relatório de utilização dos últimos 24 meses, por tipo de atendimento, prestador e código de beneficiário, sem nome.
- Peça a memória de cálculo do reajuste proposto: sinistralidade apurada, período, custo administrativo, margem e variação de custo médico aplicada.
- Refaça a conta com a fatura e as vidas de cada mês. Confira se o período da operadora é o mesmo que a empresa usa e se o último mês está completo.
- Compare com a sua série de 12 meses e com o mercado. Diferença sem explicação vira pergunta formal.
O pedido vai com prazo e por canal formal. O que o relatório precisa conter está em relatório analítico de utilização; para empresas menores, em relatório de utilização do plano, no site da ASF. Como simular cenários de resposta está em cenários da renovação.
Como o CFO provisiona o reajuste em faixa?
Com três cenários e a premissa de cada um escrita ao lado. Um número único de reajuste no orçamento esconde a incerteza.
| Cenário | Premissa | De onde vem |
|---|---|---|
| Base | Sinistralidade própria em janela de 12 meses, com a variação de custo médico do mercado | Relatório de utilização, fatura e tendência de consultoria do ano (Aon, WTW, 2025) |
| Pior | Sinistralidade própria mais o efeito de um caso de alto custo em curso | Relatório de utilização, concentração por código |
| Com gestão | Sinistralidade própria menos a parcela das medidas em andamento, em faixa, com ramp-up declarado | Programa de controle de sinistralidade, baseline e indicador |
Estrutura de provisão da EvySaude, 31 de outubro de 2026. Os percentuais são da empresa, não do mercado; o mercado entra só como referência de tendência.
O cenário "com gestão" nunca entra como economia garantida. Entra como potencial, em faixa, com premissa escrita e indicador. Se a medida não aparecer no indicador em dois ciclos, a faixa volta ao cenário base.
O que o CFO pode fazer antes da carta do reajuste chegar?
Começar seis meses antes. A negociação que só começa com a carta tem pouco tempo para a conta. São quatro passos.
Primeiro, a série própria de sinistralidade em janela de 12 meses. Segundo, o diagnóstico de concentração: tipo de atendimento, prestador e quantos códigos explicam o custo. Terceiro, as medidas em andamento, com baseline e indicador. Quarto, os cenários de desenho, cada um com efeito em faixa. Eles estão em como decidir o desenho do plano com números.
Reajuste não é fatalidade. É o resultado de uma conta que a empresa pode conhecer, refazer e discutir. Com a conta feita, o CFO tem o que discutir; sem ela, só resta aceitar o número.

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Qual sinistralidade é considerada boa?
Depende do contrato, mas o setor fechou 2025 em 81,7% (ANS) e a EvySaude trata acima de 80% como entrada na espiral de reajuste. Mais importante do que o nível é a tendência em janela de 12 meses e a concentração dentro dela. Sinistralidade baixa com caso de alto custo em curso pode virar alta no ano seguinte.
Posso usar o reajuste médio da ANS como previsão do meu reajuste?
Não. O 10,76% de 2025 é média do setor, com contratos pequenos puxando para cima (14,24%) e grandes abaixo (9,62%). O reajuste da sua empresa sai da sua sinistralidade e da negociação. Use a média como contexto e provisione em faixa, com três cenários e premissa escrita.
A operadora é obrigada a me dar a memória de cálculo?
A norma da ANS para planos coletivos prevê que a operadora disponibilize ao contratante a memória de cálculo e os critérios do reajuste (RN ANS nº 509/2022). Peça por escrito, com prazo, antes da renovação. Se a resposta vier incompleta, registre a pendência; em caso de recusa, consulte o jurídico.
O lucro das operadoras em 2025 muda alguma coisa na minha negociação?
Muda o argumento. Sinistralidade do setor em queda e resultado líquido de R$ 24,4 bilhões (ANS, 2025) podem indicar margem para as operadoras, mas são médias do setor. A empresa com sinistralidade própria abaixo da média tem base para pedir explicação de reajuste acima dela. Sem a própria conta, o argumento não existe.
Nesta seção
- Visão geral
- Plano no resultado
- Custo total na folha
- O que os estudos mostram
- Onde está o retorno
- Sinistralidade e reajuste
- Saúde mental como custo
- Casos de empresas
- Atração e retenção
- Indicadores mensais
- Desenho do plano
- Provar o cuidado
- Documentos de saúde
- Antes de demitir
- NR-1 e registro
- Afastamento por setor
- Plano de 90 dias