Plano de 90 dias do CFO
Em 90 dias, a saúde da equipe deixa de ser uma linha de benefício e vira uma conta que o CFO fecha todo mês. Este é o roteiro, em três fases de 30 dias.
Resposta curta
O plano tem três fases. Dias 1 a 30, dado: reunir fatura, relatório de utilização, folha e eSocial dos últimos 12 meses. Depois, conciliar vidas e fechar a primeira versão do custo total de saúde como percentual da folha. Dias 31 a 60, diagnóstico: medir a concentração do custo por tipo, prestador, setor e código de beneficiário, e escolher as medidas com baseline e indicador. Dias 61 a 90, rotina: primeiro painel mensal, cenários da renovação em faixa e governança escrita entre RH, financeiro e medicina do trabalho. Nenhuma etapa exige dado individual de saúde. Nenhuma promete percentual. O que sai é uma conta medida, com alavancas em faixa e indicador que as cobra.
Dias 1 a 30: que dado reunir, e de quem?
Cinco fontes, todas da própria empresa, dos últimos 12 meses.
| Dado | De quem | Para quê |
|---|---|---|
| Fatura do plano, mês a mês, com vidas e valor por faixa etária | Financeiro e operadora | Custo direto e base da sinistralidade |
| Relatório de utilização: o que o plano pagou por tipo de atendimento, prestador e código de beneficiário, sem nome | Operadora, por pedido formal da empresa | Sinistralidade, composição e concentração |
| Folha por setor: quadro médio, salário médio, horas extras, admissões e desligamentos | RH e DP | Denominador de tudo; rotatividade; reposição |
| eSocial S-2230 (o registro de afastamento enviado ao governo) e controle de atestados, só contagem e dias | Medicina do trabalho e DP | Afastamentos por cem pessoas e dias perdidos |
| Demonstrativo do FAP (o fator que ajusta a alíquota do seguro de acidente) | Financeiro, no portal da Previdência | Parcela do FAP no custo total |
Lista de insumos da EvySaude, 31 de outubro de 2026. O relatório de utilização costuma ser o gargalo: peça por escrito, com prazo e conteúdo definido, no primeiro dia. O básico para empresas menores está em relatório de utilização do plano de saúde, no site da ASF.
A entrega dos 30 dias tem duas partes. A conciliação de vidas: quem está na fatura e não está na folha, e o contrário. E a primeira versão do custo total como percentual da folha. Com fonte e data em cada parcela e "sem dado" onde faltar. O método está em conciliação de vidas e em custo total de saúde como percentual da folha.
Dias 31 a 60: como fazer o diagnóstico de concentração?
Com quatro perguntas ao relatório de utilização e à folha, todas em agregado.
- Por tipo. Quanto cada tipo de atendimento pesou nos 12 meses, e como mudou em relação aos 12 anteriores. Internação, terapias contínuas, pronto-socorro, consulta, exame.
- Por prestador. Que hospitais concentram as internações e qual é o custo médio por internação em cada um.
- Por código de beneficiário. Quantos códigos somam metade do custo, e quantos somam setenta por cento. Sai em contagem, sem identificar ninguém.
- Por setor. Custo por pessoa, afastamentos por cem pessoas e rotatividade, lado a lado, por setor. O setor fora da curva em dois ou mais é a prioridade.
O resultado diz onde o dinheiro está, e isso decide as medidas. Poucos casos de alto custo pedem gestão de caso pela camada técnica. Pronto-socorro repetido num setor pede organização do trabalho. Um hospital caro pede rede. Como ler está em relatório analítico de utilização e em ler o relatório com IA.
Dias 31 a 60: como escolher as medidas?
Pela concentração, não pelo catálogo do fornecedor. Cada medida entra com baseline medido, premissa declarada, prazo em que aparece e indicador que a mede. Sem os quatro, não entra.
Três regras de evidência orientam a escolha. Programa genérico de bem-estar não tem prova de retorno em custo nos ensaios randomizados (Song e Baicker, JAMA, 2019; Health Affairs, 2021; Jones, Molitor e Reif, QJE, 2019). Ele entra como cultura. Gestão de doença e de casos de alto custo foi onde um estudo independente achou economia, em sete anos (Caloyeras et al., RAND, 2014). E redesenho de plano muda quem paga, não quanto se gasta; vai para cenário próprio.
O potencial de cada medida sai em faixa, sob premissa escrita: é assim que as alavancas que impactam positivamente o resultado entram no orçamento. A evidência está em o que os estudos mostram e em onde está o retorno.
Dias 61 a 90: como montar o painel e os cenários?
O painel tem cinco indicadores, em janela de 12 meses, com um dono cada: custo total como percentual da folha, sinistralidade, afastamentos por cem pessoas, dias perdidos e rotatividade. A primeira reunião mensal acontece até o dia 75. O desenho está em indicadores que o CFO acompanha todo mês.
Os cenários da renovação ficam prontos até o dia 90, mesmo que a renovação esteja longe. Três cenários de reajuste (base, pior, com gestão), cada um com premissa escrita. E um cenário por alavanca de desenho, com efeito na fatura e nas pessoas, em faixa. O método está em sinistralidade e reajuste no orçamento e em como decidir o desenho do plano.
O pedido de memória de cálculo do reajuste vai por escrito nessa fase, com prazo (RN ANS nº 509/2022). Quanto mais cedo o pedido, mais tempo para a conta.
Dias 61 a 90: como escrever a governança?
Em uma página: quem faz o quê e o que nunca acontece.
- Financeiro (CFO). Dono da linha de custo total e do orçamento em faixa. Cobra cobertura, tendência e realizado contra potencial.
- RH. Dono do quadro, da rotatividade, da pesquisa anônima da NR-1 e do plano de ação sobre organização do trabalho. Sabe quem está afastado para cobrir o posto; não sabe o motivo.
- Medicina do trabalho. Única que vê dado individual, para PCMSO (o programa de exames ocupacionais), acompanhamento de casos e retorno ao trabalho, com registro de acesso. Devolve ao painel só agregado por setor.
- Gestão do plano. Dono da sinistralidade, da concentração em contagem e da relação com a operadora. Recebe o relatório por código; o código não vira pessoa fora da camada técnica.
O que nunca acontece: dado individual de saúde na reunião de diretoria; indicador para grupo com menos de cinco pessoas; número sem fonte e data; percentual de economia como promessa. Isso é escrito e assinado pelos quatro. Para a base legal de cada tratamento (Lei nº 13.709/2018, arts. 11 e 46), consulte o jurídico.
O que o CFO tem ao fim dos 90 dias, e o que vem depois?
Quatro entregas. A conta: custo total de saúde como percentual da folha, com fonte em cada parcela. O diagnóstico: onde o custo se concentra. As medidas: baseline, premissa, prazo, indicador e potencial em faixa. E a rotina: painel mensal, cenários da renovação e governança escrita.
O que ele não tem: promessa de percentual. No lugar, um indicador que diz, a cada mês, se a medida funcionou. Realizado contra potencial, por alavanca. É isso que mede o trabalho da equipe e de qualquer fornecedor.
Depois dos 90 dias, o ciclo é anual, com a renovação no centro. Seis meses antes dela, série própria, diagnóstico e cenários. A NR-1 entra no mesmo calendário. A obrigação de gerir riscos psicossociais vale desde 26 de maio de 2026. As multas estão suspensas pelo STF até o fim de dezembro de 2026 (ADPF 1316), mas a obrigação não. A pesquisa anônima da NR-1 alimenta o painel e o PGR ao mesmo tempo. O detalhe está em saúde mental como linha de custo.
Noventa dias para transformar uma linha de benefício em conta de gestão. O que fica depois disso é um método medido, não uma promessa. Para empresas de até 100 funcionários, o ponto de partida está em custos ocultos de saúde na empresa, no site da ASF.

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Preciso de consultoria para os 90 dias?
Não para as fontes e a primeira conta: fatura, folha, eSocial e o pedido do relatório são da própria empresa. A ajuda faz diferença no diagnóstico de concentração, nos cenários e na parede entre camada técnica e gestão. O que a EvySaude entrega está em como funciona; o método é o mesmo com ou sem ela.
E se a operadora não mandar o relatório de utilização a tempo?
O plano continua com o que há: fatura, folha e eSocial fecham custo direto, afastamentos e rotatividade. A sinistralidade e a concentração ficam como sem dado, com a pendência registrada por escrito. O pedido formal, com prazo, é o primeiro ato dos 90 dias por isso mesmo.
O plano de 90 dias exige que alguém veja dados de saúde dos funcionários?
Não. Todas as fontes chegam agregadas ou por código, e o único cruzamento com pessoa acontece na medicina do trabalho, com registro de acesso. O CFO, o RH e a diretoria trabalham com contagem e custo por setor. Isso está escrito na governança e assinado pelos quatro papéis.
Quanto a empresa vai economizar com o plano de 90 dias?
Não há como dizer antes de medir, e quem disser está prometendo. O que os 90 dias entregam é a conta medida, o diagnóstico de concentração e medidas com potencial em faixa, sob premissa escrita, com indicador que as cobra. O resultado aparece no painel como realizado contra potencial, a cada ciclo. O prazo depende da medida, e o estudo de referência acompanhou sete anos (Caloyeras et al., RAND, 2014).
Nesta seção
- Visão geral
- Plano no resultado
- Custo total na folha
- O que os estudos mostram
- Onde está o retorno
- Sinistralidade e reajuste
- Saúde mental como custo
- Casos de empresas
- Atração e retenção
- Indicadores mensais
- Desenho do plano
- Provar o cuidado
- Documentos de saúde
- Antes de demitir
- NR-1 e registro
- Afastamento por setor
- Plano de 90 dias