Pular para o conteúdo

Plano de saúde, atração e retenção

O plano de saúde pesa na decisão de entrar e de ficar na empresa, segundo as pesquisas de mercado. O CFO precisa saber quanto isso vale, sem aceitar número de pesquisa como se fosse economia.

Atualizado em 31 de outubro de 2026 Revisão técnica: Pedro Sales Fontes citadas na página

Resposta curta

As pesquisas de mercado apontam na mesma direção. No Brasil, 78% dos respondentes dizem que um bom plano de saúde ajuda a atrair talentos e 78% que é essencial para reter. É mais do que a média global (Howden Employee Benefits, Relatório Global sobre Saúde Corporativa, 422 empregadores e 1.460 funcionários em 13 países, 2026). É pesquisa de corretora global, com amostra pequena por país. A razão financeira está na rotatividade: cada saída custa recrutamento, treinamento, vaga aberta e curva de aprendizado. O efeito do plano na retenção da sua empresa se mede com dois dados que ela já tem: saídas por setor e pesquisa anônima de desligamento. Nunca com percentual de pesquisa de mercado aplicado como economia.

O que as pesquisas mostram sobre plano e retenção?

Que o plano de saúde está entre os benefícios mais valorizados, com a ressalva de quem faz cada pesquisa. A tabela traz a natureza de cada fonte.

AchadoNúmeroFonte, ano e natureza
Um bom plano ajuda a atrair talentos (Brasil)78%, contra 55% na média globalHowden Employee Benefits, 2026; corretora global; 422 empregadores e 1.460 funcionários em 13 países
Um bom plano é essencial para reter (Brasil)78%, contra 74% na média globalHowden Employee Benefits, 2026; mesma pesquisa
Plano de saúde considerado essencial pelos colaboradores79%, em cerca de 3 mil respondentes de 26 segmentosPipo Saúde, 2024 a 2025; empresa de benefícios, interesse comercial
RHs que consideram o plano essencial ou muito relevante para atrair e reter87%Pipo Saúde, Pesquisa de Benefícios 2025; empresa de benefícios
Funcionários que dizem que o plano atende às suas necessidades (Brasil)71%WTW, Benefits Attitudes Survey, 2024; é medida de satisfação, não de preferência

Pesquisas de corretora, consultoria e empresa de benefícios, com interesse comercial e amostras próprias; nenhuma é estudo acadêmico. Leitura da EvySaude, 31 de outubro de 2026.

O que essas pesquisas sustentam é a direção: o plano pesa na decisão de entrar e de ficar. O que elas não sustentam é um número de retenção para a sua empresa. "78% dizem que é essencial" (Howden, 2026) não significa que 78% ficariam ou sairiam por causa do plano.

Por que a rotatividade é uma razão financeira?

Porque cada saída tem um custo que a empresa paga em várias contas e não soma. Recrutamento e seleção. Exames e integração. Treinamento. Vaga aberta, coberta com hora extra ou com produção perdida. Curva de aprendizado de quem chega, que rende menos nos primeiros meses. E, em alguns setores, retrabalho e perda de cliente.

Nenhuma dessas parcelas aparece como "rotatividade" no resultado. Elas estão em folha, hora extra, recrutamento e produção, e por isso o custo é subestimado. Um estudo com a FGV EAESP estimou que o desengajamento custa cerca de R$ 77 bilhões por ano às empresas brasileiras. Desse total, R$ 70,7 bilhões seriam rotatividade (Engaja S/A, estudo da Flash com a FGV EAESP, 2025). É estudo de empresa de benefícios com universidade. Não localizamos a metodologia do cálculo, e ele mede desengajamento, não saúde. Serve só para a escala, não para a conta da sua empresa.

A conta da sua empresa usa a premissa de custo de reposição que o orçamento já tem. Se não tem, declare uma: tantos meses de salário por saída, com a justificativa escrita. O que importa é que a premissa esteja visível, e que o número mude quando ela mudar. O detalhe está em rotatividade e saúde.

Onde o plano entra nessa conta?

Em dois pontos. No desligamento, quando a perda do plano pesa na decisão de sair ou de aceitar outra proposta. E na contratação, quando o plano é parte do pacote comparado pelo candidato.

Há um terceiro ponto, menos óbvio. O desenho do plano afeta a retenção de forma desigual. O efeito pode ser desigual: coparticipação alta tende a pesar mais em quem usa mais, e contribuição do titular, em quem ganha menos. São hipóteses a conferir no dado da empresa. Uma mudança de desenho que reduz a fatura pode aumentar as saídas num setor específico. Os dois efeitos precisam ir para a mesma conta. Os cenários estão em como decidir o desenho do plano com números.

Essa é a razão de o CFO não decidir desenho só pela fatura. A fatura muda no mês seguinte. A rotatividade, se mudar, aparece meses depois, em outra conta.

Como medir o efeito na própria empresa?

  1. Saídas por setor, em janela de 12 meses. Desligamentos voluntários sobre o quadro médio, separando os primeiros 90 dias. Fonte: folha e cadastro. É o baseline.
  2. Pesquisa anônima de desligamento. Três perguntas fechadas: o plano pesou na decisão? Que item do plano? Para onde vai, o plano é melhor, igual ou pior? Resposta por setor, com mínimo de pessoas por grupo. Nunca por pessoa.
  3. Cruzamento com o desenho. Setores com maior saída voluntária têm maior coparticipação paga, maior contribuição do titular ou mais dependentes? É hipótese até os dados confirmarem.
  4. Custo de reposição declarado. Multiplique as saídas atribuídas ao plano pela premissa de custo de reposição. O resultado é faixa, porque a atribuição é por pesquisa.
  5. Acompanhamento. A cada mudança de desenho, a saída voluntária por setor nos 12 meses seguintes. Esse é o indicador que confirma ou afasta a hipótese.

Nenhum passo exige dado de saúde de ninguém. Tudo é folha, cadastro e pesquisa anônima. Como organizar a leitura por setor está em people analytics de saúde por setor.

O que fazer com o resultado?

Levá-lo para a mesma mesa em que se decide o desenho do plano. Se o setor com maior saída voluntária é o que mais sente a coparticipação, a decisão de aumentar coparticipação tem um custo que a fatura não mostra. Se o plano não aparece na pesquisa de desligamento, o CFO ganha liberdade para redesenhar. Nos dois casos, a decisão passa a ter dado.

Duas regras de leitura. A pesquisa de desligamento mede percepção de quem saiu, não efeito do plano. Ela aponta hipótese. O que confirma é a saída voluntária por setor nos 12 meses seguintes à mudança. E a atribuição ao plano sai em faixa, porque ninguém sai por um motivo só.

Quando o tema é cláusula de convenção coletiva sobre plano, participação máxima do titular ou manutenção do plano após o desligamento, o custo muda de natureza. Vira obrigação. O básico está em convenção coletiva e plano de saúde. Para o caso concreto, consulte o jurídico.

Como isso entra no painel do CFO?

Como um indicador mensal: saída voluntária por setor, em janela de 12 meses, com os primeiros 90 dias separados. E como uma nota anual: o que a pesquisa de desligamento disse sobre o plano, por setor. Junto da linha de custo total de saúde, o CFO vê as duas pontas da decisão sobre o plano. O que ele custa e o que ele segura.

O potencial de reduzir rotatividade com mudanças no plano sai em faixa, sob premissa declarada. É uma das alavancas que impactam positivamente o resultado. Mas é a que mais depende de fatores fora do plano: salário, chefia, escala. Por isso a atribuição ao plano é sempre parcial e dita como tal. O painel completo está em indicadores que o CFO acompanha todo mês. Para empresas menores, o básico está em saúde corporativa, no site da ASF.

Ver o painel da diretoria e como entregamos

Guia em PDF · sem custo

Guia do controle de sinistralidade

Guia em PDF para diretoria, CFO e RH: como calcular a sinistralidade, os cinco pontos que pesam, o relatório a pedir, a conciliação de vidas e o programa de 90 dias.

Receber o guia →

Perguntas frequentes

Posso dizer na diretoria que o plano reduz a rotatividade em tantos por cento?

Não com número de pesquisa de mercado. O que as pesquisas mostram é que 78% consideram o plano essencial para reter (Howden, 2026), o que indica direção, não efeito. O efeito na sua empresa se mede com saída voluntária por setor e pesquisa anônima de desligamento, e sai em faixa.

Reduzir o plano para cortar custo aumenta a saída de pessoas?

Pode aumentar, de forma desigual entre setores, e o efeito aparece meses depois, em outra conta. Por isso a decisão de desenho leva a saída voluntária por setor como indicador de acompanhamento. Se o plano não aparece na pesquisa de desligamento, o redesenho tem menos risco.

Qual é o custo de uma saída?

Depende da função e do setor, e a empresa deve declarar a própria premissa: meses de salário por saída, com a justificativa. Estudos de mercado dão a escala. A rotatividade ligada ao desengajamento custaria R$ 70,7 bilhões por ano às empresas brasileiras (estudo da Flash com a FGV EAESP, 2025; metodologia não localizada). Não dão a conta da sua empresa.

A pesquisa de desligamento pode ser identificada?

Não, para o uso de gestão. Ela é anônima, com resposta por setor e mínimo de pessoas por grupo. Se o setor tem poucas saídas, junta-se ao vizinho. O objetivo é ler padrão, não caso. Em dúvida sobre o tratamento do dado, consulte o jurídico.

Conteúdo revisado por Pedro Sales — consultor de saúde corporativa, EvySaude e ASF Corretora. Atualizado em 31 de outubro de 2026. Conteúdo informativo sobre gestão e finanças. Não é parecer jurídico, contábil ou atuarial e não substitui a análise do caso concreto. Em tema trabalhista ou tributário, consulte o jurídico.

Nesta seção

Quer ver a conta de saúde da sua empresa fechada em uma página?

Conte o porte, o custo atual do plano e o que mais pesa hoje. A conversa começa pelo WhatsApp.