Indicadores que o CFO acompanha todo mês
Cinco números, uma página, todo mês. É o que separa a gestão da saúde da equipe de uma surpresa anual na carta do reajuste.
Resposta curta
O painel do CFO tem cinco indicadores, todos em janela de 12 meses (sempre os últimos 12 meses, não o mês isolado). São eles: custo total de saúde como percentual da folha, sinistralidade, afastamentos por cem pessoas, dias perdidos e rotatividade. Sinistralidade é, de cada R$ 100 de mensalidade, quanto a operadora gastou. Cada um tem um dono que traz o dado: financeiro, gestão do plano, RH e medicina do trabalho. Tudo é agregado por setor. Nenhum dado individual de saúde chega ao RH ou à diretoria. O painel só vale se o número de um mês mudar a ação do mês seguinte.
Quais são os cinco indicadores, e por que esses?
Porque cada um cobre uma parcela da conta de saúde e tem fonte que a empresa já produz. Nenhum exige dado novo. Nenhum exige dado de pessoa.
| Indicador | Como se calcula | Quem traz | De onde vem |
|---|---|---|---|
| Custo total de saúde como percentual da folha | Plano líquido, afastamentos, FAP e rotatividade ligada à saúde, divididos pela folha bruta, em 12 meses | Financeiro | Fatura, folha, eSocial, demonstrativo do FAP |
| Sinistralidade | Custo dos atendimentos dividido pela mensalidade do mesmo período, em 12 meses | Gestão do plano | Relatório de utilização da operadora e fatura |
| Afastamentos por cem pessoas | Afastamentos iniciados em 12 meses, por cem pessoas do quadro médio, por setor | RH e medicina do trabalho | eSocial S-2230 e controle de atestados; só contagem, sem motivo |
| Dias perdidos | Dias de afastamento em 12 meses, por cem pessoas, separando até 15 dias e acima | RH | Folha e eSocial S-2230 |
| Rotatividade | Desligamentos sobre o quadro médio, em 12 meses, separando voluntários e primeiros 90 dias | RH | Folha e cadastro |
Painel da EvySaude para a diretoria, 31 de outubro de 2026. FAP é o fator que ajusta a alíquota do seguro de acidente conforme os afastamentos acidentários da empresa; S-2230 é o registro de afastamento enviado ao governo.
Há um sexto número, que não é indicador: a cobertura. Quantos meses de relatório de utilização a empresa tem, se a conciliação de vidas está feita, se a pesquisa da NR-1 foi aplicada. Sem cobertura, o indicador mente. O CFO cobra a cobertura antes de cobrar o resultado.
Por que tudo em janela de 12 meses?
Porque o mês isolado mente, nas duas direções. O mês do reajuste infla o custo. O mês de férias coletivas reduz afastamentos. O último mês do relatório da operadora está sempre incompleto, porque hospitais e laboratórios ainda enviam contas. Lido sozinho, ele parece melhora.
A janela de 12 meses soma sempre os últimos 12 meses e compara com os 12 anteriores. Assim, cada ponto do painel é comparável com o anterior. Uma mudança na janela é sinal. A mesma mudança num mês isolado pode ser ruído.
A regra tem um custo: o indicador reage devagar. Uma medida tomada em janeiro aparece com força na janela só perto do fim do ano. Por isso o painel traz também o mês corrente, marcado como "em formação", para quem quer ver a direção. Mas a decisão é sobre a janela. Como essa conta se faz no reajuste está em reajuste com memória de cálculo.
Quem traz cada número, e em que ordem?
Quatro donos, uma reunião mensal de 30 minutos. A ordem importa, porque um número depende do outro.
- RH fecha o quadro médio do mês, por setor, e os desligamentos. Sem ele, nenhum indicador por cem pessoas fecha.
- Medicina do trabalho entrega a contagem de afastamentos iniciados e dias, por setor, já agregada. O motivo fica com ela. O que sobe é número por grupo, com mínimo de pessoas.
- Gestão do plano entrega a sinistralidade na janela, a composição por tipo de atendimento e a concentração em contagem: quantos códigos somam metade do custo. Sem nome.
- Financeiro fecha o custo total como percentual da folha e traz o realizado contra o orçado, por parcela.
A reunião termina com uma lista: o que mudou, por quê, e a ação do mês seguinte. Quem não tem ação, não tem indicador; tem relatório. A separação de quem vê o quê está em people analytics de saúde por setor.
Como garantir que nada individual chega ao painel?
Com regras de desenho, não com confiança. Quatro bastam.
- Mínimo de pessoas por grupo. Pela regra da EvySaude, nenhum indicador aparece para setor com menos de cinco pessoas. O setor pequeno entra no da unidade.
- Só contagem e custo. Motivo de afastamento, diagnóstico, procedimento de uma pessoa e nome de beneficiário não entram. O relatório de utilização chega por código, e o código não é cruzado com a folha fora da camada técnica.
- O maior caso aparece como parcela. "Um caso respondeu por tal parte do custo." Nunca como linha detalhada, porque um caso só identifica a pessoa para quem conhece a equipe.
- Registro de acesso. Quem acessou dado individual, quando e por quê, na camada técnica (Lei nº 13.709/2018, arts. 11 e 46). O painel da diretoria não precisa desse registro porque não tem dado individual.
O CFO não vê dado de saúde de ninguém, e isso não limita a gestão. A decisão é sobre setor, escala, desenho de plano e prestador. Nenhuma delas precisa de nome. Para a base legal de cada tratamento, consulte o jurídico.
Como ler o painel, e o que fazer com ele?
Três leituras por mês, em ordem.
Tendência. Cada indicador contra a janela anterior. Subiu, caiu ou ficou. Sinistralidade subindo com custo total estável sugere que a mensalidade caiu ou as vidas mudaram; conferir a conciliação. Afastamentos subindo com rotatividade subindo no mesmo setor pode indicar problema de organização do trabalho; vale investigar.
Concentração. Que setor, que tipo de atendimento, que prestador e quantos códigos explicam a mudança. A ação vai para onde o número se concentra. Como ler a concentração está em onde está o retorno.
Realizado contra potencial. Para cada alavanca em andamento, o que se esperava na faixa e o que o indicador mostrou. Alavanca sem efeito em dois ciclos sai do orçamento de gestão de custo. É essa comparação que mede o trabalho. Alavancas que impactam positivamente o resultado só existem se o indicador as confirmar depois.
O que o painel não é?
Não é ranking de pessoas, não é vigilância e não é promessa. Não é ranking porque não tem pessoa. Não é vigilância porque o dado é o que a empresa já produz para folha e governo, lido em agregado. E não é promessa porque nenhum número do painel projeta economia. Ele mede o que aconteceu.
O que ele é: a conta de saúde da empresa, fechada todo mês, na mesma disciplina da folha. A referência de mercado para cada indicador entra como contexto, com fonte e ano. O plano médio custa 15,8% da folha em empresas médias e grandes (Mercer Marsh Benefícios, 2025). A sinistralidade do setor foi de 81,7% em 2025 (ANS, 2025). O afastamento por transtorno mental cresceu 15,66% no INSS em 2025 (Ministério da Previdência Social, 2026). Mas a decisão é sobre a série da própria empresa.
O roteiro para montar o painel está em plano de 90 dias do CFO. O benchmark de absenteísmo está em absenteísmo: benchmark e medição. Como a diretoria usa o painel está em painel da diretoria.

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Preciso de software para esse painel?
Não para começar: cinco indicadores em janela de 12 meses cabem em planilha, com as fontes anotadas. O sistema faz sentido quando a rotina mensal está firme. Aí o mínimo de pessoas por grupo e o registro de acesso passam a ser impostos pelo sistema, não pela disciplina de quem monta.
Com que frequência a operadora manda o relatório de utilização?
Depende do contrato. O painel mensal exige relatório mensal ou, no mínimo, trimestral. Peça por escrito, com o conteúdo definido: por tipo de atendimento, prestador e código de beneficiário, sem nome. O que ele deve conter está em relatório analítico de utilização.
O gestor de área pode ver o painel do próprio setor?
Pode ver os indicadores do próprio setor, se o setor tem pessoas suficientes para o mínimo por grupo. Não vê dado de outros setores nem de pessoa. Ele muda escala e chefia, e por isso precisa do número do setor; não precisa de nome para isso.
E se um indicador não tem dado?
Ele aparece como sem dado, com o que destrava: relatório faltando, conciliação não feita, eSocial incompleto. Nunca entra média de mercado no lugar do dado da empresa. A cobertura é o primeiro número que o CFO cobra, antes do resultado.
Nesta seção
- Visão geral
- Plano no resultado
- Custo total na folha
- O que os estudos mostram
- Onde está o retorno
- Sinistralidade e reajuste
- Saúde mental como custo
- Casos de empresas
- Atração e retenção
- Indicadores mensais
- Desenho do plano
- Provar o cuidado
- Documentos de saúde
- Antes de demitir
- NR-1 e registro
- Afastamento por setor
- Plano de 90 dias